30 de novembro de 2012

O prostíbulo romanesco


Pré-Script: esse texto traz linguagem inapropriada aos que têm problemas conjugais, cardíacos e éticos, gente que, por sugestão do editor, deve deixar de lê-lo neste exato momento.
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O calor de uma dessas tardes de outubro, ainda sem flores, não intimidou um dos maiores eventos realizados no Clube Barro Preto. Talheres lustrados, joias reluzindo e vai-e-vem de leques na assembleia geral extraordinária convocada pela LAMA (Liga Associativa das Madames Aposentadas). O encontro, organizado ás pressas, pretendia debater a situação de uma casa de perversões em funcionamento no bairro da Cango – mais uma.

Se intrometer em assuntos prostitucionais era comum à “polícia moral”, como ficou conhecida a LAMA. Em tempos idos, até um ofício formal fora enviado ao presidente Garrastazu pedindo providências quanto a um caso de lenocínio na cidade. “Solicitamos, para tanto, o fechamento imediato de tal contubérnio público que fere ante o decoro da população, dissipa a virilidade dos nossos cônjuges e atenta à moral do povo de bem, os bons costumes da sociedade e a nossos clitóris”, dizia trecho do documento que tinha por destinatário o presidente da República.

Desta vez, porém, o tom dos debates não era de ataque, mas de consentimento quanto a existência e continuidade do Monte Olympo, o mais novo antro de perdição da cidade. O empreendimento era fruto da ousadia de um visionário comerciante que, pego pela trama das relações humanas e sociais, destas que ninguém está impune, perdeu a relojoaria da qual era proprietário numa carteada de bodega. Sozinho no mundo, fez da habilidade como Don Juan do sertão seu ganha-pão.

17 de setembro de 2012

Lembranças da boemia - Entrevista com seo Valmo, o garçom de zona que casou com a cafetina


Entrevista fictícia com Valmor Barboni
Memória da prostituição em Londrina/PR – 1944/1970

Na fachada daquele estabelecimento beira-de-estrada não há nenhuma placa indicando ser ali a bodega do seo Valmo. Também pudera, nem precisa identificar o local onde reside na parte de cima e trabalha na de baixo o quase octogenário Valmor Barboni, proprietário do referido estabelecimento. Mais disposto que muita gente de 40, seo Valmo é parte da história londrinense. Apesar de seus feitos não constarem em livros, sua pessoa não receber homenagens e nem seu nome ser emprestado a alguma rua ou obra importante, é este menino, que começou a trabalhar ainda cedo e depois virou homem da noite, que ajudou a construir a história dos áureos tempos do café que tornou Londrina conhecida em todo país pelas noites de farra nos cabarés, belas prostitutas e amores bem pagos. A mesma história que hoje não passa de memória boêmia e que as oficialidades fizeram questão de esquecer, a ponto de seus personagens não serem homenageados nem na fachada de uma bodega na beira da 445.

E foi no balcão desta mesma bodega, próxima de Paiquerê, que o seu proprietário expôs o que podemos considerar o Manifesto Memorial da Prostituição Londrinense. Éramos somente nós três: eu com minha curiosidade, seo Valmo com suas lembranças e o alambique de Amburana com a cachaça que em outros tempos regava a difícil vida fácil no estabelecimento de número 135 da Vila Matos, mais conhecido por Casa da Selma.

Atraído á Londrina pela aspiração de progresso e boa vida da região, esta em virtude da abundância de fazendas de café, seo Valmo, mais por força das circunstâncias que por uma predisposição natural acabou por ganhar a vida em um local moralmente condenável, mas constantemente procurado: o meretrício.

18 de julho de 2012

O bordel de 25 janelas, a casa de tolerância e orgasmo do Alvorada

Por Jorge Baleeiro de Lacerda*
Hoje, na esquina da Rua Niterói com a Rua Goiás, no bairro Alvorada, em Francisco Beltrão, não existe mais o velho casarão de 40, 30 ou 25 janelas, onde funcionava uma casa de tolerância, eufemismo para "zona". Nesse local está, hoje, a bela casa de Milton Inocêncio (diretor da Unifas).

A hipocrisia nacional, abominável e "santa hipocrisia" tupiniquim, nunca permitiu que se falasse, às claras, sobre as ZBM, zonas do baixo meretrício, que a ortodoxia da Igreja chama de "reduto do pecado". Esse aspecto da vida beltronense, por certo, não virá tão cedo à tona, à luz da história, quando seria de imensa importância para que se soubesse, sem falso pudor monástico, como era a vida intramuros dessas casas de prazer dos tempos pioneiros pré-camisinha e pré-Aids. Serviria até para um estudo comparativo de comportamento, de hábitos de lazer.

3 de maio de 2012

A espetacular história do fuzil de um tiro só: a arma que abateu a luz vermelha do Banhadão da Catuaba


A ação da milicaiada era destaque na capa daquele jornal semanal que circulava em 1966. “Exército fecha antro da imoralidade em Marmeleiro”, dizia a manchete em letras garrafais, bem no centro da página. A notícia dava conta da repressão feita cinco dias antes à Geni Drynks, famosa casa de prostituição e divertimento que funcionava no conhecido “Banhadão da Catuaba”, na saída pra Beltrão.

Lembre o caro leitor que esta era época em que estava em execução a famosa “política de desenvolvimento, cacete e cadeia”, adotada pela dita-cuja. A notícia mais era um factoide para reforçar a imagem institucional das Forças Armadas e mascarar as reais motivações dos eventos.

O caso noticiado não foi violento, segundo a versão oficial. De acordo com a redação, apenas um tiro foi disparado nessa ação. A bala saiu do mesmo fuzil que recentemente foi roubado por dois peleguinho-oreia-seca de dentro do quartel.

Após anos de silêncio – e sensibilizado pela ação militar que hoje acontece nas ruas de capital do Sertão – um dos combatentes do episódio resolveu abrir a boca e expor sua versão do fato. Ao custo de três doses de Bitter Águia, o véio do maior bigode da região, que pediu anonimato, revelou que a milicaiada era tudo amiga do putedo do banhadão; e duma amizade por demais liberal, diga-se de passagem.

19 de abril de 2012

Sangue, suor e cachaça: a bodega do Nêne e o tesão no sertão

A chuva caia grossa. A minguada lua havia se camuflado no rodeio das nuvens. Naquela época, a zona era um lugar de lazer masculino alimentado pelo tesão, pela cachaça e pela pólvora dos revólveres dos "bicho macho" daquelas redondezas.

Se boleava um truco na bodega, Pirilampo Alves caçador do mato, havia ali parado pra saborear um trago, mas logo foi deitando a réstia no chão (morreu) pois havia 'bizoiado' e caguetado o Capitão Araújo roubando no carteado.

Nêne - dono da bodega - não pensou duas vezes: queria faturar e foi vendendo catuaba e trazendo o que ele chamava de putedo para aquela festa particular do ano novo.