A ação da milicaiada era destaque na capa daquele jornal semanal
que circulava em 1966. “Exército fecha antro da imoralidade em Marmeleiro”,
dizia a manchete em letras garrafais, bem no centro da página. A notícia dava
conta da repressão feita cinco dias antes à Geni Drynks, famosa casa de
prostituição e divertimento que funcionava no conhecido “Banhadão da Catuaba”,
na saída pra Beltrão.
Lembre o caro leitor que esta era época em que estava em execução
a famosa “política de desenvolvimento, cacete e cadeia”, adotada pela
dita-cuja. A notícia mais era um factoide para reforçar a imagem institucional
das Forças Armadas e mascarar as reais motivações dos eventos.
O caso noticiado não foi violento, segundo a versão oficial. De
acordo com a redação, apenas um tiro foi disparado nessa ação. A bala saiu do
mesmo fuzil que recentemente foi roubado por dois peleguinho-oreia-seca de
dentro do quartel.
Após anos de silêncio – e sensibilizado pela ação militar que hoje
acontece nas ruas de capital do Sertão – um dos combatentes do episódio resolveu
abrir a boca e expor sua versão do fato. Ao custo de três doses de Bitter
Águia, o véio do maior bigode da região, que pediu anonimato, revelou que a
milicaiada era tudo amiga do putedo do banhadão; e duma amizade por demais liberal,
diga-se de passagem.