17 de setembro de 2012

Lembranças da boemia - Entrevista com seo Valmo, o garçom de zona que casou com a cafetina


Entrevista fictícia com Valmor Barboni
Memória da prostituição em Londrina/PR – 1944/1970

Na fachada daquele estabelecimento beira-de-estrada não há nenhuma placa indicando ser ali a bodega do seo Valmo. Também pudera, nem precisa identificar o local onde reside na parte de cima e trabalha na de baixo o quase octogenário Valmor Barboni, proprietário do referido estabelecimento. Mais disposto que muita gente de 40, seo Valmo é parte da história londrinense. Apesar de seus feitos não constarem em livros, sua pessoa não receber homenagens e nem seu nome ser emprestado a alguma rua ou obra importante, é este menino, que começou a trabalhar ainda cedo e depois virou homem da noite, que ajudou a construir a história dos áureos tempos do café que tornou Londrina conhecida em todo país pelas noites de farra nos cabarés, belas prostitutas e amores bem pagos. A mesma história que hoje não passa de memória boêmia e que as oficialidades fizeram questão de esquecer, a ponto de seus personagens não serem homenageados nem na fachada de uma bodega na beira da 445.

E foi no balcão desta mesma bodega, próxima de Paiquerê, que o seu proprietário expôs o que podemos considerar o Manifesto Memorial da Prostituição Londrinense. Éramos somente nós três: eu com minha curiosidade, seo Valmo com suas lembranças e o alambique de Amburana com a cachaça que em outros tempos regava a difícil vida fácil no estabelecimento de número 135 da Vila Matos, mais conhecido por Casa da Selma.

Atraído á Londrina pela aspiração de progresso e boa vida da região, esta em virtude da abundância de fazendas de café, seo Valmo, mais por força das circunstâncias que por uma predisposição natural acabou por ganhar a vida em um local moralmente condenável, mas constantemente procurado: o meretrício.