21 de dezembro de 2011
Aventura de piá
Mais velho que a monarquia
Criado em fodologia
De um modo pampeiro e franco
Pois toda a lingua falada
Tem sua definição
É uma égua num barranco
E um cuera de pau na mão
3 de dezembro de 2011
Porco zio...
25 de novembro de 2011
Branca Leone, o gringo que comeu a Gema sem quebrar o ovo
7 de novembro de 2011
Sugestiva homenagem
Por vezes a hipocrisia humana supera-se em grau, número e qualidade. Ela é mais nítida nos monumentos, nomes de ruas, bairros e cidades, em que mártires do acaso e heróis que nunca o foram são imortalizados.
Mas na cidadezinha de São Mateus, no Espírito Santo, uma justa homenagem consta grifada numa placa. Nela, a população expressa seu reconhecimento e gratidão ás prostitutas que preservaram o que hoje é o Sítio Histórico Porto de São Mateus.

19 de outubro de 2011
Gran Império da Contradição
A grande família da civilização herda riquezas aos filhos legítimos, adota alguns renegados e exclui seus bastardos. No litoral do Paraná, lá onde o mar abocanha os frutos deste solo, esses bastardos possuem hábitos furtivos e noturnos. São prostitutas e ratos que se alimentam das sobras do progresso, pois nem pensão alimentícia recebem. As primeiras, não tendo reconhecimento do mérito de seu ofício, se ocupam divertindo os viajantes e enfadando sua existência; enquanto os segundos se empanturram de farelos e grãos que caem ao chão e formam uma mísera pasta ao se fundir com o úmido ar.
Tal realidade, mais benéfica aos ratos que as putas, é resultado da desobediência destes filhos ao que lhes determinam seus pais. A penúria é a única herança que recebem desta árvore genealógica.
A famiglia do progresso continua a se reproduzir em espécie e condição, mas quantas gerações mais terão que nascer bastardas para afortunar seus primogênitos?
8 de outubro de 2011
Garcia Márquez e suas 514 putas tristes

Nunca me deitei com mulher alguma sem pagar, e as poucas que não eram do ofício convenci pela razão ou pela força que recebessem o dinheiro nem que fosse para jogar no lixo. Lá pelos meus vinte anos comecei a fazer um registro com o nome, a idade, o lugar, e um breve recordatório das circunstâncias e do estilo. Até os cinquenta anos eram quinhentas e catorze mulheres com as quais eu havia estado pelo menos uma vez. Interrompi a lista quando o corpo já não dava mais para tantas e podia continuar as contas sem precisar de papel. Tinha minha ética própria. Nunca participei em farras de grupo nem em contubérnios públicos, nem compartilhei segredos, nem contei uma só aventura do corpo ou da alma, pois desde jovem me dei conta de que nenhuma é impune.
22 de setembro de 2011
As marcas do barro progressista no chão da zona da Mercedes
Foi nesta época que o Chico Trovoada (apelido adquirido em função do medo de tremores no céu) resolveu comemorar o aniversário depois de um dia inteiro de trabalho, que contabilizava tantas machadadas quanto árvores derrubadas. A festa ocorreu na bodega do Jaime, ponto comum de encontro ente os operários da madeira no sertão sudoestino. Da parte de Jaime, a festa, mais que um mero presente, era um gesto de gratidão ao seu mais assíduo cliente, àquele que por tantos anos sustentou seu comércio de pinga e vinagretes. A viola desafinada, os gaiteiros bêbados, os piadistas sem graça e os cachorros roubando as linguiçinhas do fogo faziam parte daquele cenário de festa, um verdadeiro ode ao “sócio” da bodega do Jaime, como os amigos chamavam Chico Trovoada.
4 de setembro de 2011
Véio Salton enrolando a comadre
Por duas vezes... e nos dois sentidos
Essa anedota verídica quem conta é o Ademir Bacca, junto com mais várias outras dos porco dio da Serra Gaúcha. E garante a veracidade.
Diz que Angelo Salton, um dos fundadores da Vinhos Salton S.A., certa vez foi visitar a fazenda que a empresa tinha no Prata. Lá chegando ficou com uma vontade repentina de manter um relacionamento com a mulher do responsável pela fazenda, uma comadre sua. Canta daqui, canta dalí e nada da mulher topar. Aí Angelin, como era conhecido, ofereceu-lhe 500 mil réis, uma fortuna na época. A proposta entusiasmou a mulher, mas deixou-a preocupada, pois não saberia como explicar ao marido de onde saíra o dinheiro todo.
24 de julho de 2011
Uma profissional que vive com prazer
Por natural misantropia ou demasiadas decepções na vida, qualquer céptico comum, conhecedor dos pormenores da vida desta mulher, insinuaria que a bonitez do sorriso não passava de uma artimanha de ofício, afirmação maldosa e gratuita, porque ele, o sorriso, já tinha sido assim nos tempos não muito distantes em que a mulher fora menina, palavra em desuso quando o futuro era uma carta fechada e a curiosidade de abri-la ainda estava por nascer.
Simplificando, pois, poder-se-ia incluir esta mulher na classe das denominadas prostitutas, mas a complexidade da trama das relações sociais, tanto diurnas como nocturnas, tanto verticais como horizontais, da época aqui descrita, aconselha moderar qualquer tendência para juízos peremptórios, definitivos, balda de que, por exagerada suficiência nossa, talvez nunca consigamos livrar-nos. 17 de julho de 2011
Prefácio - Apócrifos da História
Os textos que ora apresentarei são para poucos! Ao menos, creio eu, sejam democráticos apenas em minha intenção. Ou, talvez, não. Isso, também, pouco importa diante de que, o que pretendo escrever é muito mais uma produção barata para indenizar minha consciência que para agradar aos leitores.
E sacio minha consciência trazendo à tona fatos que podem não lhes parecer comuns, mas com pitadas de verdade. Isso em função de que, exausto em esgotar-me com a religião, demasiado iludido com a política e inconformado com a soberania do futebol, decidi explorar um ambiente que não me é familiar, tampouco íntimo. Optei pelo imoral, pelo informal, por essa sujeira da grossa.
Dentre os propósitos não está a difamação da imagem destes verdadeiros templos da promiscuidade, tampouco julgar a prática da prostituição, mas sim evidenciar a existência de fatos curiosos e pitorescos nestes importantes espaços de sociabilidade. Ora, como negar a importância das zonas para a História, se nelas é que colonos deixavam boa parte de suas safras, clérigos se tornavam devotos de putas, machos baixavam as orelhas para as cafetonas e políticos confidenciavam os segredos de Estado? Impossível negar a existência dos puteiros, como querem que façamos, e sua relevância social.