Os textos que ora apresentarei são para poucos! Ao menos, creio eu, sejam democráticos apenas em minha intenção. Ou, talvez, não. Isso, também, pouco importa diante de que, o que pretendo escrever é muito mais uma produção barata para indenizar minha consciência que para agradar aos leitores.
E sacio minha consciência trazendo à tona fatos que podem não lhes parecer comuns, mas com pitadas de verdade. Isso em função de que, exausto em esgotar-me com a religião, demasiado iludido com a política e inconformado com a soberania do futebol, decidi explorar um ambiente que não me é familiar, tampouco íntimo. Optei pelo imoral, pelo informal, por essa sujeira da grossa.
Dentre os propósitos não está a difamação da imagem destes verdadeiros templos da promiscuidade, tampouco julgar a prática da prostituição, mas sim evidenciar a existência de fatos curiosos e pitorescos nestes importantes espaços de sociabilidade. Ora, como negar a importância das zonas para a História, se nelas é que colonos deixavam boa parte de suas safras, clérigos se tornavam devotos de putas, machos baixavam as orelhas para as cafetonas e políticos confidenciavam os segredos de Estado? Impossível negar a existência dos puteiros, como querem que façamos, e sua relevância social.
Aliás, já vou adiantando que de científico este blog tem nada; ou melhor, muito pouco. Aqui são relatadas estórias, causos contados nas bodegas, nas rodas de chimarrão, em fins de baile e em concursos de mentira. E apesar disso, as semelhanças com a realidade não são meras coincidências.
Bem vindos ao Porteiro de Zona. Nome que se justifica pelo fato de que a partir deste personagem abandonam-se todos os valores morais, a criação rígida, as opiniões hipócritas e imagens de bons pais de família. A partir da porta, viram-se as costas para o estado social do mundo para entrar no deleite do antro profano; para demonstrar-se humano em sua mais elevada animalidade; para, além do prazer, saber que um da foi amado, mesmo que fosse um “eu te amo” pago. É o porteiro da zona aquele que vos separa de mundos antagônicos: em um, sois tudo aquilo que lhe constrangem a ser; em outro és senhor de si, é o dono do putedo, e como se este fato resumisse todo o restante de qualquer tipo de existência, és também, dono do mundo. Pelo menos no prostíbulo e enquanto tiver dinheiro.
PS: Minha nona, que queria me ver padre, que me desculpe por preferir estudar as santas da Zona que os putos da Igreja.
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