17 de julho de 2011

Prefácio - Apócrifos da História

Os textos que ora apresentarei são para poucos! Ao menos, creio eu, sejam democráticos apenas em minha intenção. Ou, talvez, não. Isso, também, pouco importa diante de que, o que pretendo escrever é muito mais uma produção barata para indenizar minha consciência que para agradar aos leitores.
E sacio minha consciência trazendo à tona fatos que podem não lhes parecer comuns, mas com pitadas de verdade. Isso em função de que, exausto em esgotar-me com a religião, demasiado iludido com a política e inconformado com a soberania do futebol, decidi explorar um ambiente que não me é familiar, tampouco íntimo. Optei pelo imoral, pelo informal, por essa sujeira da grossa.


Dentre os propósitos não está a difamação da imagem destes verdadeiros templos da promiscuidade, tampouco julgar a prática da prostituição, mas sim evidenciar a existência de fatos curiosos e pitorescos nestes importantes espaços de sociabilidade. Ora, como negar a importância das zonas para a História, se nelas é que colonos deixavam boa parte de suas safras, clérigos se tornavam devotos de putas, machos baixavam as orelhas para as cafetonas e políticos confidenciavam os segredos de Estado? Impossível negar a existência dos puteiros, como querem que façamos, e sua relevância social.



Aliás, já vou adiantando que de científico este blog tem nada; ou melhor, muito pouco. Aqui são relatadas estórias, causos contados nas bodegas, nas rodas de chimarrão, em fins de baile e em concursos de mentira. E apesar disso, as semelhanças com a realidade não são meras coincidências.


Bem vindos ao Porteiro de Zona. Nome que se justifica pelo fato de que a partir deste personagem abandonam-se todos os valores morais, a criação rígida, as opiniões hipócritas e imagens de bons pais de família. A partir da porta, viram-se as costas para o estado social do mundo para entrar no deleite do antro profano; para demonstrar-se humano em sua mais elevada animalidade; para, além do prazer, saber que um da foi amado, mesmo que fosse um “eu te amo” pago. É o porteiro da zona aquele que vos separa de mundos antagônicos: em um, sois tudo aquilo que lhe constrangem a ser; em outro és senhor de si, é o dono do putedo, e como se este fato resumisse todo o restante de qualquer tipo de existência, és também, dono do mundo. Pelo menos no prostíbulo e enquanto tiver dinheiro.


PS: Minha nona, que queria me ver padre, que me desculpe por preferir estudar as santas da Zona que os putos da Igreja.

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