24 de julho de 2011

Uma profissional que vive com prazer

Mas também pode chamar de a melhor definição do ofício de meretriz, por um portuga póstumo

Por natural misantropia ou demasiadas decepções na vida, qualquer céptico comum, conhecedor dos pormenores da vida desta mulher, insinuaria que a bonitez do sorriso não passava de uma artimanha de ofício, afirmação maldosa e gratuita, porque ele, o sorriso, já tinha sido assim nos tempos não muito distantes em que a mulher fora menina, palavra em desuso quando o futuro era uma carta fechada e a curiosidade de abri-la ainda estava por nascer.


Simplificando, pois, poder-se-ia incluir esta mulher na classe das denominadas prostitutas, mas a complexidade da trama das relações sociais, tanto diurnas como nocturnas, tanto verticais como horizontais, da época aqui descrita, aconselha moderar qualquer tendência para juízos peremptórios, definitivos, balda de que, por exagerada suficiência nossa, talvez nunca consigamos livrar-nos.

17 de julho de 2011

Prefácio - Apócrifos da História

Os textos que ora apresentarei são para poucos! Ao menos, creio eu, sejam democráticos apenas em minha intenção. Ou, talvez, não. Isso, também, pouco importa diante de que, o que pretendo escrever é muito mais uma produção barata para indenizar minha consciência que para agradar aos leitores.
E sacio minha consciência trazendo à tona fatos que podem não lhes parecer comuns, mas com pitadas de verdade. Isso em função de que, exausto em esgotar-me com a religião, demasiado iludido com a política e inconformado com a soberania do futebol, decidi explorar um ambiente que não me é familiar, tampouco íntimo. Optei pelo imoral, pelo informal, por essa sujeira da grossa.


Dentre os propósitos não está a difamação da imagem destes verdadeiros templos da promiscuidade, tampouco julgar a prática da prostituição, mas sim evidenciar a existência de fatos curiosos e pitorescos nestes importantes espaços de sociabilidade. Ora, como negar a importância das zonas para a História, se nelas é que colonos deixavam boa parte de suas safras, clérigos se tornavam devotos de putas, machos baixavam as orelhas para as cafetonas e políticos confidenciavam os segredos de Estado? Impossível negar a existência dos puteiros, como querem que façamos, e sua relevância social.