Por natural misantropia ou demasiadas decepções na vida, qualquer céptico comum, conhecedor dos pormenores da vida desta mulher, insinuaria que a bonitez do sorriso não passava de uma artimanha de ofício, afirmação maldosa e gratuita, porque ele, o sorriso, já tinha sido assim nos tempos não muito distantes em que a mulher fora menina, palavra em desuso quando o futuro era uma carta fechada e a curiosidade de abri-la ainda estava por nascer.
Simplificando, pois, poder-se-ia incluir esta mulher na classe das denominadas prostitutas, mas a complexidade da trama das relações sociais, tanto diurnas como nocturnas, tanto verticais como horizontais, da época aqui descrita, aconselha moderar qualquer tendência para juízos peremptórios, definitivos, balda de que, por exagerada suficiência nossa, talvez nunca consigamos livrar-nos.
E sacio minha consciência trazendo à tona fatos que podem não lhes parecer comuns, mas com pitadas de verdade. Isso em função de que, exausto em esgotar-me com a religião, demasiado iludido com a política e inconformado com a soberania do futebol, decidi explorar um ambiente que não me é familiar, tampouco íntimo. Optei pelo imoral, pelo informal, por essa sujeira da grossa.