3 de maio de 2012

A espetacular história do fuzil de um tiro só: a arma que abateu a luz vermelha do Banhadão da Catuaba


A ação da milicaiada era destaque na capa daquele jornal semanal que circulava em 1966. “Exército fecha antro da imoralidade em Marmeleiro”, dizia a manchete em letras garrafais, bem no centro da página. A notícia dava conta da repressão feita cinco dias antes à Geni Drynks, famosa casa de prostituição e divertimento que funcionava no conhecido “Banhadão da Catuaba”, na saída pra Beltrão.

Lembre o caro leitor que esta era época em que estava em execução a famosa “política de desenvolvimento, cacete e cadeia”, adotada pela dita-cuja. A notícia mais era um factoide para reforçar a imagem institucional das Forças Armadas e mascarar as reais motivações dos eventos.

O caso noticiado não foi violento, segundo a versão oficial. De acordo com a redação, apenas um tiro foi disparado nessa ação. A bala saiu do mesmo fuzil que recentemente foi roubado por dois peleguinho-oreia-seca de dentro do quartel.

Após anos de silêncio – e sensibilizado pela ação militar que hoje acontece nas ruas de capital do Sertão – um dos combatentes do episódio resolveu abrir a boca e expor sua versão do fato. Ao custo de três doses de Bitter Águia, o véio do maior bigode da região, que pediu anonimato, revelou que a milicaiada era tudo amiga do putedo do banhadão; e duma amizade por demais liberal, diga-se de passagem.

19 de abril de 2012

Sangue, suor e cachaça: a bodega do Nêne e o tesão no sertão

A chuva caia grossa. A minguada lua havia se camuflado no rodeio das nuvens. Naquela época, a zona era um lugar de lazer masculino alimentado pelo tesão, pela cachaça e pela pólvora dos revólveres dos "bicho macho" daquelas redondezas.

Se boleava um truco na bodega, Pirilampo Alves caçador do mato, havia ali parado pra saborear um trago, mas logo foi deitando a réstia no chão (morreu) pois havia 'bizoiado' e caguetado o Capitão Araújo roubando no carteado.

Nêne - dono da bodega - não pensou duas vezes: queria faturar e foi vendendo catuaba e trazendo o que ele chamava de putedo para aquela festa particular do ano novo.

21 de dezembro de 2011

Aventura de piá

Barranquear é verbo xucro
Mais velho que a monarquia
Criado em fodologia
De um modo pampeiro e franco
Pois toda a lingua falada
Tem sua definição
É uma égua num barranco
E um cuera de pau na mão

3 de dezembro de 2011

Porco zio...

Uma homenagem póstuma a Paulo Czerniaski, O Blasfemador

Foi a primeira vez que cheguei na casa do nono Paulo e o vi o portão cadeado. Não era praxe daquele velho sexagenário trancar sua chacrinha lá na Linha Gaúcha. Sempre gostou de visitas, e sempre recepcionou tanto os íntimos como os desconhecidos de forma bastante simpática: soltando um tradicional porco zio (e outras blasfêmias possíveis para se adjetivar uma pessoa), ato que lhe era mais uma demonstração de amizade que de antipatia. Quem dera tivesse o nono vivido em outras épocas seria conhecido por Paulo, O Blasfemador. Inloquiçado, caquedo, imundiçia, djânho, e outros adjetivos que a moral não me permite falar, eram constantes em seu vocabulário.

25 de novembro de 2011

Branca Leone, o gringo que comeu a Gema sem quebrar o ovo

Era pra ser mais um dia normal e tranquilo na bodega da Linha São Paulo, no último ano da década de 60. Mas sabem bem os leitores que tal estabelecimento, para fazer jus ao seu nome, necessita ser o palco de algumas brigas banalizadas, apostas fúteis e mentiras bem aplicadas. E acrescente-se: escândalos sexuais-comunitários também.

7 de novembro de 2011

Sugestiva homenagem

Um exemplo aplicável ao Sudoeste

Por vezes a hipocrisia humana supera-se em grau, número e qualidade. Ela é mais nítida nos monumentos, nomes de ruas, bairros e cidades, em que mártires do acaso e heróis que nunca o foram são imortalizados.

Mas na cidadezinha de São Mateus, no Espírito Santo, uma justa homenagem consta grifada numa placa. Nela, a população expressa seu reconhecimento e gratidão ás prostitutas que preservaram o que hoje é o Sítio Histórico Porto de São Mateus.

19 de outubro de 2011

Gran Império da Contradição

Onde putas e ratos são bastardos filhos do progresso paternal

A grande família da civilização herda riquezas aos filhos legítimos, adota alguns renegados e exclui seus bastardos. No litoral do Paraná, lá onde o mar abocanha os frutos deste solo, esses bastardos possuem hábitos furtivos e noturnos. São prostitutas e ratos que se alimentam das sobras do progresso, pois nem pensão alimentícia recebem. As primeiras, não tendo reconhecimento do mérito de seu ofício, se ocupam divertindo os viajantes e enfadando sua existência; enquanto os segundos se empanturram de farelos e grãos que caem ao chão e formam uma mísera pasta ao se fundir com o úmido ar.

Tal realidade, mais benéfica aos ratos que as putas, é resultado da desobediência destes filhos ao que lhes determinam seus pais. A penúria é a única herança que recebem desta árvore genealógica.

A famiglia do progresso continua a se reproduzir em espécie e condição, mas quantas gerações mais terão que nascer bastardas para afortunar seus primogênitos?

8 de outubro de 2011

Garcia Márquez e suas 514 putas tristes

Nunca me deitei com mulher alguma sem pagar, e as poucas que não eram do ofício convenci pela razão ou pela força que recebessem o dinheiro nem que fosse para jogar no lixo. Lá pelos meus vinte anos comecei a fazer um registro com o nome, a idade, o lugar, e um breve recordatório das circunstâncias e do estilo. Até os cinquenta anos eram quinhentas e catorze mulheres com as quais eu havia estado pelo menos uma vez. Interrompi a lista quando o corpo já não dava mais para tantas e podia continuar as contas sem precisar de papel. Tinha minha ética própria. Nunca participei em farras de grupo nem em contubérnios públicos, nem compartilhei segredos, nem contei uma só aventura do corpo ou da alma, pois desde jovem me dei conta de que nenhuma é impune.

22 de setembro de 2011

As marcas do barro progressista no chão da zona da Mercedes

Conta o nono Paulo, em roda do fogão numa manhã de domingo, com a cuia na mão e o paiêro na boca, que lá pelos idos de 60, zona em Santo Antonio do Sudoeste era mais comum que leitão mestiçado correndo no quintal. Isso em razão da grande quantidade de Araucárias que a região da fronteira possuía, atraindo as madeireiras que consigo traziam o progresso e uma leva de lenhadores que derrubavam nossa árvore símbolo a torto e direito. E na mesma proporção surgiam os prostíbulos para a macharada descarregar “seus instintos naturais”.

Foi nesta época que o Chico Trovoada (apelido adquirido em função do medo de tremores no céu) resolveu comemorar o aniversário depois de um dia inteiro de trabalho, que contabilizava tantas machadadas quanto árvores derrubadas. A festa ocorreu na bodega do Jaime, ponto comum de encontro ente os operários da madeira no sertão sudoestino. Da parte de Jaime, a festa, mais que um mero presente, era um gesto de gratidão ao seu mais assíduo cliente, àquele que por tantos anos sustentou seu comércio de pinga e vinagretes. A viola desafinada, os gaiteiros bêbados, os piadistas sem graça e os cachorros roubando as linguiçinhas do fogo faziam parte daquele cenário de festa, um verdadeiro ode ao “sócio” da bodega do Jaime, como os amigos chamavam Chico Trovoada.

4 de setembro de 2011

Véio Salton enrolando a comadre

Por duas vezes... e nos dois sentidos


Essa anedota verídica quem conta é o Ademir Bacca, junto com mais várias outras dos porco dio da Serra Gaúcha. E garante a veracidade.


Diz que Angelo Salton, um dos fundadores da Vinhos Salton S.A., certa vez foi visitar a fazenda que a empresa tinha no Prata. Lá chegando ficou com uma vontade repentina de manter um relacionamento com a mulher do responsável pela fazenda, uma comadre sua. Canta daqui, canta dalí e nada da mulher topar. Aí Angelin, como era conhecido, ofereceu-lhe 500 mil réis, uma fortuna na época. A proposta entusiasmou a mulher, mas deixou-a preocupada, pois não saberia como explicar ao marido de onde saíra o dinheiro todo.